Doutores da Alegria no ano da pandemia

Terceiro semestre de 2021, ao andar em um corredor de um hospital é natural encontrar médicos, enfermeiros, auxiliares de limpeza e palhaços. A curiosidade instiga, uma pessoa usando jaleco, gravata borboleta, calças coloridas e um nariz vermelho destoa do ambiente sério de um centro hospitalar. Os responsáveis por trazer o contraste são os Doutores da Alegria.

Nos últimos três meses, os plantões besteirológicos, como eles chamam as intervenções artísticas, foram diferentes dos habituais, foram apresentações híbridas – presenciais e virtuais. Depois de quase dois anos afastados, o retorno gradual dos palhaços foi importante para trazer inovações, como cursos, festivais, eventos e um documentário.

Presença a distância

Por conta dos necessários protocolos de distanciamento social e para preservar a saúde dos artistas e dos pacientes, os Doutores tiveram que se readaptar. As tradicionais visitas foram feitas por meio de tablets, mas com a liberação parcial alguns palhaços voltaram a levar alegria para os pacientes e funcionários dos hospitais.

Em agosto, os Doutores da Alegria fizeram duas edições virtuais e ao vivo do Conta Causos, no Facebook e YouTube. O evento se resume em, basicamente, construir uma narrativa divertida e alimentar o universo dos Doutores por meio de experiências já vivenciadas. Esta apresentação é um dos pilares do repertório cênico dos palhaços.

A pandemia os forçou a ficar em casa, mas não os impediu de levar alegria para os hospitais

Com uma abordagem diferente do habitual, o coletivo lançou o documentário: “O ano em que a Terra parou”, que trouxe depoimentos dos palhaços e funcionários sobre o tempo em que eles ficaram longe dos hospitais. Durante os 25 minutos, roteiristas, artistas e outros colaboradores contam como eles driblaram o confinamento e continuaram com seus trabalhos, mesmo distante, mas marcando presença.

“A gente criou um grupo, no WhatsApp, com profissionais de saúde de hospitais do Rio de Janeiro, Recife e São Paulo. Esses profissionais, dentro dos hospitais, se encarregavam de compartilhar esses vídeos para outros profissionais de saúde, crianças e familiares”, conta – durante o documentário – Gabriela Caseff, redatora do Doutores da Alegria.

A produção revela que durante todo o ano de 2020, foram publicados quase mil vídeos no Youtube. Com uma pitada de bom humor, critica e alto astral, o documentário mostra também o lado humano dos artistas e ele está disponível gratuitamente no YouTube.

A volta

O retorno aos hospitais está sendo gradual, em agosto, a primeira artista a voltar foi a Suzana Aragão, conhecida como Dra. Tutty Bolot’s, no Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (ITACI) em São Paulo, ela se apresentou presencialmente e sua dupla acompanhou por meio de um tablet. Já a primeira dupla presencial foi no hospital do Campo Limpo, com os doutores Du Circo e Valdisney.

 

A volta está sendo feita respeitando todos os cuidados e segurança, o que garante o bem estar dos profissionais e pacientes. Nos hospitais em que as visitas presenciais não foram liberadas, ainda, os Doutores da Alegria continuam fazendo seus atendimentos virtuais.

 

O número de pacientes impactados, nos 11 hospitais públicos, por meio do plantão besteirológico ultrapassa 9 mil pessoas, são 2.313 crianças em São Paulo e 751 em Recife. Além dos meninos e meninas, os adultos, sejam eles pais, acompanhantes e os próprios funcionários dos hospitais, também receberam suas doses de alegria, totalizando 4.655 em SP e 1.375 em RE.

 

Veja o documentário “O ano em que a Terra parou” aqui: