Entrevista com o técnico do projeto São Bernardo Vôlei Feminino

Milton Serra

Hoje o projeto Saque Brilhante traz a entrevista do técnico Milton Serra. Atualmente ele é Técnico da equipe Sub 21 Feminina em São Bernardo do Campo.

Formado em Educação Física pela USP (Universidade de São Paulo) em 1979, especialização em Voleibol pela USP em 1980, curso nacional de treinadores Nível IV em 2010.

Atua como técnico de Voleibol desde 1978, ainda como estudante de Educação Física, e oficialmente, com registro na CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) e FPV (Federação Paulista Volleyball), desde 1981. Já teve sua passagem por todas as categorias e ambos sexos e algumas passagens por seleções.

Vamos à entrevista:

O que te levou ao voleibol?

Na adolescência, praticava vários esportes, da Natação à Ginástica Artística. Não me destacava em nenhum, mas também não passava vergonha. Aos 14/15 anos fui chamado para treinar voleibol em um Clube, e desde então fiz a opção pela modalidade que me levou ao Curso de Educação Física e à Especialização em Voleibol.

 

Como você vê a evolução do curso de educação física de quando estudou para a atualidade?

De 2005 a 2016 tive a oportunidade de ministrar aulas em um Curso de Licenciatura em Educação Física, uma das disciplinas que ministrei, Voleibol. Entendo perfeitamente a evolução da Ciência Educação Física, que ampliou conteúdos e alterou a forma de se enxergar o Ser Humano.

Pena que estes conteúdos são explorados de maneira superficial, pois a complexidade do nosso Objeto de Estudo, o Ser Humano, deveria exigir mais horas, mais quantidade e qualidade de estudo. Hoje, mais do que nunca, a Graduação é o pontapé inicial para ingressar no Mercado de Trabalho. Quem se acomodar, fica para trás!

 

 

Quais as maiores dificuldades que o vôlei de base enfrentam hoje? E como elas devem ser trabalhadas?

Esta pergunta permite uma profunda reflexão sobre o tema, e uma ampla gama de respostas. Vou na linha do que acredito ser o melhor, mesmo sabendo que existe a necessidade de mudanças culturais para se alterar nosso modelo.

Começo por aí, o modelo adotado tradicionalmente no Brasil é clubístico, e gradativamente, vem sendo substituído ou complementado por ações do Poder Público, especialmente por Prefeituras. Humildemente, reconheço que o modelo mais adequado à formação de atletas-cidadãos é o Norte Americano, baseado na Escola, da High School até a University.

Por conta deste “vício de origem”, acabamos por criar um mecanismo de massificação que nem sempre oportuniza verdadeiramente a inserção de todos no processo, e muitos talentos ficam pelo caminho. Nos últimos anos percebemos, pelo menos aqui em São Paulo, um número menor de equipes nas categorias formativas. Ou, um número, digamos, estagnado, por mais que algumas ações tentem reverter este quadro.

Além disto, temos poucas equipes adultas para receber atletas que passaram pelo processo de formação, e muitas destas atletas param de jogar, buscam mercados “B” ou “C” fora do Brasil, ou buscam a alternativa no mercado Norte Americano para retomar ou complementar os estudos através do Voleibol.

 

Ser técnico de vôlei é também precisar ter as palavras certas nos momentos necessários, só a experiência com muito tempo nas quadras possibilita isso?

A experiência com certeza ajuda, mas não existe receita infalível. Posso dizer que erro muito, e que aprendo todos os dias, pois “hoje eu tenho que ser melhor que ontem, e amanhã, melhor que hoje”.

 

 

Quando um título é conquistado, é possível descrever a que experiência com certeza ajuda, mas não existe receita infalível?

A experiência e a vida à beira da quadra nos transformam de certa maneira, em bombas de retardo, que explodem a cada vitória e a cada título. Isto dura poucos instantes. Devemos ter os pés no chão e a consciência que o jogo ou o título mais difícil é o próximo, e que temos que trabalhar muito para lograr êxito.

 

Você qual é a diferença fundamental entre treinar equipes masculinas e femininas?

Costumo dizer que são dois Esportes diferentes que possuem basicamente a mesma regra. Ritmo de Jogo, Mecânica do Jogo, Tipo de Treinamento, Abordagem aos Atletas, são diferenças fundamentais.

 

Como foram suas passagens pelas seleções?

O que guarda de melhor delas? Honestamente, eu era muito jovem, e contribuí muito pouco, bem menos do que eu poderia. Claro que aprendi bastante, por conta disto, e graças a bons amigos que tenho e que me aceitaram, voluntariamente tenho tentado acompanhar as Seleções Paulistas de Base (Sub 19 em 2017 e Sub Sub 18 em 2018).

Mesmo não pertencendo oficialmente à CT, creio poder contribuir um pouco com os colegas, e aprender sempre um pouco mais.

 

 

Você além de técnico, realiza uma ótima divulgação de boletins de acontecimentos da sua equipe, como você começou a desenvolver este trabalho?

Simples. Na falta de Assessoria de Imprensa especializada, resolvi usar minhas redes sociais para falar do nosso Projeto. Faz pouco mais de um mês que comecei a escrever o “Boletim Bernô News”, e todo domingo falo da semana que passou e das atividades da semana que entra.

 

O que você espera para o segundo semestre da sua temporada junto às suas atletas?

Nosso Sub 21 é um grupo novo e com potencial. São apenas 7 atletas, 5 de primeiro ano e 2 de segundo ano da categoria. Além disto, atletas do Sub 19 completam o grupo. Sabemos das nossas limitações, mas temos um grupo consciente que sabe que nossa equipe é uma equipe de oportunidade, e que está evoluindo e aproveitando cada chance. Creio que teremos um ótimo segundo semestre.

 

Qual é o seu momento mais gratificante em sua rotina de treinador?

Difícil dizer, a rotina de trabalho, por si só é gratificante, pois treinar é vencer desafios, todos os dias. Ver a evolução, as conquistas das atletas, nos enche de orgulho, por menor que possa ter sido formalmente a nossa contribuição.

 

O que falaria para os jovens que sonham em ser técnicos de voleibol assim como você?

Só existe uma receita: Preparação + Persistência + Humildade + Determinação. E um segredo: É fundamental saber de voleibol. Mas é mais importante ainda tentar entender que antes da atleta, vem o Ser Humano, e que é preciso aprender a lidar com as pessoas. E que este é o principal exercício diário.

 

 

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