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Em torno de um mês após o início do tratamento, o laudo de Vamberto mostrou que as células cancerígenas desapareceram - LS Nogueira

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Lei do Câncer - PRONON / LS News / Notícias / Ribeirão Preto

Em torno de um mês após o início do tratamento, o laudo de Vamberto mostrou que as células cancerígenas desapareceram

Com 62 anos, Vamberto Luiz Castro, com câncer padecia há 2 anos de um linfoma não Hodgkins, um tipo de tumor de alto risco e agressivo. Ele já havia se submetido a quatro tratamentos diferentes, porém sem sucesso. Seu câncer foi localizado no sistema linfático e considerado terminal, seu prognóstico era de menos de um ano de vida.

 “A expectativa de sobrevida desse paciente era menor que um ano. Para casos como esse, no Brasil, normalmente restam apenas os cuidados paliativos” –  Renato Cunha, um dos pesquisadores que participou da equipe que tratou Vamberto.

Castro deu entrada em 9 de setembro no Hospital das Clínicas da USP, em Ribeirão Preto, no interior paulista, com muitas dores, perda de peso e dificuldades para andar. É o primeiro paciente a ser tratado na América Latina pela técnica criada nos Estados Unidos conhecida como CAR T – Cell. Este método reprograma as células do sistema imunológico do próprio paciente para que elas combatam as células tumorais presentes no corpo. E em torno de um mês após o início do tratamento, o laudo de Vamberto mostrou que as células cancerígenas desapareceram.

 

Os cientistas que criaram esse processo ganharam o prêmio
Nobel de Fisiologia e Medicina no ano passado

Castro lutava desde 2017 contra um linfoma, que é um câncer que começa nas células do sistema linfático. Existem dois tipos de linfomas, linfoma de Hodgkin e linfoma não-Hodgkin. Acometem principalmente os linfonodos, que são órgãos do sistema de defesa do organismo, mas podem atingir outros órgãos, especialmente quando em estágios avançados.

“Tratando-se de câncer, ainda é cedo para dizer que ele está curado, mas ele não apresenta mais sinais da doença e era um paciente que já estava em cuidados paliativos” – Dimas Tadeu Covas, coordenador do Centro de Terapia Celular do Hemocentro do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Para suportar os sintomas da doença, tais como, cansaço ou fraqueza, febre, sudorese, perda de peso, dores no corpo, emagrecimento, além do aparecimento de nódulos no corpo ele precisava se medicar com morfina para controlar as dores.

CAR T – Cell

Este procedimento já é comum nos Estados Unidos, Europa, China e Japão e este em específico foi totalmente desenvolvido no Brasil, o método é personalizado e associa a imunoterapia à engenharia genética. São células geneticamente modificadas e consiste na manipulação de células do sistema imunológico para as células causadoras do câncer sejam combatidas. O ataque é contínuo e específico, segundo os médicos.

Os médicos retiram as células de defesa do corpo do paciente e as “reprogramam” no laboratório com um vírus para que sejam capazes de identificar as células tumorais e agir sobre elas. No tratamento, está incluída ainda uma etapa em que o sistema imunológico dos pacientes é “derrubado” para que as células reprogramadas com o vírus possam atuar. Com esta premissa os médicos decidiram aplicar este procedimento em Vamberto que continuará fazendo acompanhamento com especialistas nos próximos meses para atestar o fim da doença.

clique na imagem e confira

De acordo com a USP, novos testes serão feitos com o tratamento para que ele seja certificado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A expectativa é de que 10 pacientes atendidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) passem pela terapia nos próximos seis meses.

Cada dose é customizada para o paciente, atualmente, somente o Centro de Terapia Celular (CTC-FAPESP-USP) do Hemocentro de Ribeirão Preto, ligado ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, unidade da Secretária de Estado da Saúde, desenvolve a medicação no Brasil.