A importância de investir no esporte de base

As olimpíadas trouxeram um debate muito importante para o público brasileiro: o incentivo no esporte. Além da preparação e treinamento intensos necessários para participar dos jogos olímpicos, os atletas sofrem com a falta de patrocínio e de estímulos fiscais.

O rendimento dos atletas nas olimpíadas está diretamente ligado ao interesse de seu país em investir nas modalidades, treinamentos e incentivo aos esportes. No Brasil, muitos atletas têm que lidar com pouca infraestrutura e dividir o tempo da prática com outros empregos para se manter no esporte. De acordo com dados levantados pelo Globo Esporte, dos 309 atletas brasileiros nas Olimpíadas de 2020, 231 dependem do Bolsa Atleta, projeto de incentivo criado pelo governo federal, que existe desde 2004, mas não teve edital lançado em 2020, limitando o número de atletas ajudados pelo programa. Entre os atletas, 131 não contam com nenhum patrocínio, 41 precisaram fazer vaquinha para estar no Japão e 25% deles não conseguem viver só do esporte e têm outras profissões – destes, 15% trabalham como motorista de aplicativo.

Além de desenvolver a capacidade motora e auxiliar o processo de crescimento em crianças e jovens, o esporte forma conceitos de cidadania e convivência e trabalha questões como autoestima, ética, moral e inclusão social, entregando indivíduos melhores à sociedade. A prática esportiva pode proporcionar um significativo avanço social, econômico e cultural para o país. Por motivos como esses, é muito importante debater sobre a necessidade do investimento na base do esporte, a garantia de acesso ao atleta – tanto de alto rendimento como o iniciante –, a oportunidade de treinamento, espaço adequado para a prática do esporte e compensação financeira, para que não existam mais obstáculos que dificultem a carreira esportiva.

Um exemplo de ação que faz diferença no esporte brasileiro é a Lei de Incentivo ao Esporte, que permite que empresas de lucro real doem uma porcentagem do seu imposto para apoiar projetos esportivos, gerando oportunidades em lugares sem acesso ao esporte. Um case de sucesso de projetos esportivos que mudam vidas é o projeto Brasileirinhos, desenvolvido e administrado pela ex-ginasta olímpica Daiane dos Santos. O projeto consiste em criar oportunidade de contato com a ginástica artística para jovens e crianças de periferia, com idades entre 06 e 17 anos. O projeto impactou direta e indiretamente a vida de diversas pessoas.

A medalhista olímpica, Rebeca Andrade é modelo da diferença que projetos sociais podem fazer na vida de uma pessoa. Quando criança, Rebeca participou das aulas de ginástica artística do projeto Brasileirinhos na periferia de São Paulo. Agora, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, tornou-se a primeira ginasta brasileira campeã olímpica e primeira atleta do Brasil a ganhar duas medalhas em uma mesma edição das Olimpíadas – prata, na categoria Individual Geral Feminino da Ginástica Artística, e ouro no Salto.

Ações como doar seu imposto para instituições que apoiam o esporte e votar em candidatos que se importam com a questão são formas de ajudar os profissionais que representam o Brasil nas próximas edições do evento esportivo mais importante do mundo.

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